O Sussurro do Demônio

Nichts verdrängen!

*Homenagem ao Cassel-Gross que desprezei no outro post sobre o filme.*

Eu lhe contei [a Jung] como tinham sido meus exames, mas fiquei muito desapontada por ele não ter demonstrado alegria em saber que, afinal de contas, eu tinha capacidade de fazer um bom trabalho e que agora era candidata oficial a um diploma médico. Eu me envergonhava de ter acreditado em quaisquer profecias e disse a mim mesma: não apenas ele não me ama, mas nem sou uma boa amiga, cuja felicidade lhe interessa. Ele pretendeu mostrar-me que éramos totalmente estranhos um ao outro e é humilhante que eu o vá procurar agora. Mas eu decidi ir na próxima sexta-feira, e agir de forma totalmente profissional. O demõnio me sussurrou outras coisas ao ouvido, mas eu já não acreditava nelas. Fiquei esperando em estado de profunda depressão. Então ele chegou, radiante de prazer, e com forte emoção me contou sobre Gross, sobre a grande revelação que acabava de receber (isto é, sobre a poligamia); ele não mais pretende reprimir seus sentimentos por mim, ele admitiu que eu era a sua primeira e mais cara amiga, etc, etc, (depois, naturalmente, de sua esposa) e que gostaria de contar-me tudo sobre ele. Assim, mais uma vez, ocorre esta curiosíssima coincidência em que o dêmonio, inesperadamente, mostrou estar certo.

Diário de Sabina Spielrein – Primavera de 1909
A Most Dangerous Method (John Kerr)

Um pensamento sobre “O Sussurro do Demônio

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