Cinema is just a form of masturbation.

Fiquei intrigada porque diabos essa frase aparecia em todos os lugares como se fosse algum ensinamento profundo e queria saber o real contexto em que foi dita. Então, descobri a tal afirmação do Dirk Bogarde numa edição-coletânea da Penthouse (ah, a ironia!) que constava tal entrevista.

Penthouse: Have you had this attitude all along, or is it that you no longer need the public as much as you once did?
Bogarde: Ever since I started films, I thought the publicity was shame-making, was cheating the audience. I used to go along with these poor little starlets who were dressed in mink and satin. At the end of the evening, the fancy clothes went back to the studio wardrobe and the starlet went home on the subway. I never had that done to me because they thought I was too valuable. But I had my fly sewn up at the side because I was always being groped by women. I was never allowed to be left alone with women between 18 and 45 — or even older sometimes. The whole thing was false and ugly and kind of flesh-selling. I didn’t like people saying, “Isn’t he thin?”, or “Isn’t he small”, or “Isn’t he shorter than you thought he would be?” Women wanted their husbands to go up to me and punch me. After all, the cinema is just a form of masturbation.
Penthouse: Why do you say that?
Bogarde: It’s a sexual relief for disappointed people. The letters that I’ve had over the years should be gone into. This is a fantasy land. Women write and say, “I let my husband do it because I think it is you lying on top of me”. Or they kept pictures of me under their pillows or on the ceiling. Every fan is a fanatic — even if they are little teenage girls of 13 or 14. The basic thing about the cinema is sensuality. The only reason audiences have gone roaring out to see films like Georgy Girl. Morgan, and Blow-Up is’ because there are naked women in them, naked tits, or some eroticism. They’ll sit through it forever. I’m delighted that A Man for all Seasons has done so well because it just disproves what I have been telling you. There is sex and romanticism. In between that, there is not much else.
Penthouse: Some of your own films, like Modesty Blaise, played up to the sexual instincts.
Bogarde: Yes, it did, but it was hitting below the belt as well. All great art is a stimulation of the senses, and if they are not the sexual senses, they are the senses that stimulate and excite and liberate.

Bogarde, eu te amo, mas não fala isso! Não trate as pessoas como se todas vissem, sentissem, percebessem e pensassem o mundo da mesma forma, sob esse ponto de vista meramente sensorial (atores que acabam se tornando grandes símbolos sexuais geralmente são mais propensos à sensorialidade), sei que essas mulheres te traumatizaram tratando-o como um pedaço de carne, mas não generalize, por favor. Assim como existem homens que tratam as mulheres como um pedaço de carne, há mulheres que tratam os homens da mesma forma, mas também existem outras milhares de pessoas que não fazem nada disso.
O fato do Bogarde ter sido homossexual me faz lembrar de algo que sempre me incomoda, quando ao saber que um homem bonito é homossexual ouço alguma mulher dizendo o clássico “Que desperdício!”. Que desperdício por quê, cara pálida? Ele é o prato de comida sendo jogado fora, por acaso? Seria desperdício se ele morresse e não porque a opção sexual dele não te favorece. Do ponto de vista do Bogarde ele está até certo em dizer tudo que disse na tal entrevista, é mais ou menos o discurso de uma mulher que foi estuprada e anda amargurada com a vida, mas felizmente mundo afora existe um pouco mais do que isso.
Claro que essa entrevista é de quarenta anos atrás e o mundo não está mais tentando fugir da repressão sexual a qualquer custo, muito pelo contrário, hoje (algum)as pessoas estão tentando fugir da banalização da sexualidade, tudo está tão exposto que entedia, mas seja tanto antes quanto agora, dizer que cinema é uma forma de masturbação não é só diminuir o cinema como forma de expressão intelectual e sentimental, mas também diminuir o espectador a um ser unilateral que não enxerga um palmo à frente do nariz, afinal, sonhos não são desejos, ao menos quase nunca o são.

Nota: Sabe o que é mais engraçado? Nunca consegui ver o Bogarde como símbolo sexual e ele era o maior símbolo sexual da Inglaterra nos anos 50.

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