Centenário de Yuzo Kawashima

Kawashima é a transição entre os grandes mestres surgidos no cinema mudo e a nouvelle vague japonesa, morreu muito cedo aos 45 anos sem não antes deixar algumas grandes obras, além de tudo é considerado por Shohei Imamura como seu grande professor. Top-5, então:

1- The Graceful Brute (Shitoyakana kedamono, 1962): Esse filme é para os que reclamam de adaptações teatrais, apesar de não ser uma ele usa um espaço bem pequeno para desenrolar a ação e o quão inventivo Kawashima é!!!Todos os ângulos possíveis são utilizados, é quase um anti-Mizoguchi nessa questão. Em termos narrativos é o que mais se aproxima do filme mais famoso do diretor, Bakumatsu taiyoden, um único espaço que está envolto nas tramóias dos mais variados pilantras.

2- A Lenda do Sol dos Últimos Dias do Xogunato (Bakumatsu taiyôden, 1957): Talvez esse filme não seja tão famoso quanto deveria, é um amálgama bem perspicaz de filme de samurai, comédia, filme histórico e romance picaresco e o personagem principal certamente influenciou a concepção de Yojimbo. Se misturassem Akira Kurosawa e Robert Altman certaria daria essa mistura como filme.

3- The Temple of Wild Geese (Gan no tera, 1962): Pode parecer uma expressão estranha mas a melhor a ser usada para definir este filme é “noir budista” porque é exatamente isso que ele é, Kawashima aqui constrói uma atmosfera de tensão sexual fortíssima, especialmente avinda daqueles cujo mérito em teoria é refrear as paixões, como é usual do diretor o mesmo faz uso deveras perspicaz das imagens através de brilhantes angulações até então pouco usuais.

4- Suzaki Paradise Red Light (Suzaki Paradaisu: Akashingô, 1956): Esse é um tipo de filme que eu diria ter influenciado a Nouvelle Vague Japonesa, parece um drama nos moldes clássicos à primeira vista, mas tem toda uma pegada dinâmica, especialmente quanto ao final.

5- The Balloon (Fûsen, 1956): Aqui Aratama e Mihashi trocam de personalidade entre si em relação a suas personagens em Akashingo do mesmo diretor e ano, aqui há um viés de classe que age no caráter das personagens, as classes mais altas são desenvolvidas através de manipulação, desdém e frieza, enquanto as mais baixas são alvo da sordidez das supracitadas e isso fica claro quando Mori deixa sua classe abastada para viver com simplicidade, pois eles e sua filha se sentem outsiders em meio à toda aquela sordidez. E adivinhem o nome da personagem do Mori? Haruki Murakami! Rá!

Plus: Destino de Gueixa (Yoru no nagare, Mikio Naruse/Yuzo Kawashima): Por ser uma parceria com Naruse, resolvi deixar esse à parte. Esse filme é bem peculiar porque realmente mescla os estilos dos diretores que o dirigiram, do Naruse traz todo o olhar mais contido tecnicamente e de sabedoria em relação às personagens, enquanto do Kawashima vem o olhar bem humorado, mais dinâmico e em constante diálogo com o ocidente que são recorrentes em seus filmes. Eu particularmente nunca vi uma co-direção que exemplificasse tão bem dois olhares distintos.

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