Especial Carnaval: David Carradine double feature

Esta Terra é Minha Terra (Bound for Glory, 1976)

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Quase 10 anos após a morte de Woody Guthrie lá estava Hal Ashby fazendo mais uma de suas obras mestras, uma biografia sobre o mesmo com David Carradine no papel principal, não só no filme como na trilha sonora (que é rara pra dedeu), é o próprio Carradine que interpreta as atemporais canções de Guthrie.

Talvez esse seja o melhor filme de Ashby, um diretor vergonhosamente subestimado para um filme ainda vergonhosamente esquecido, com grande sabor do que há de melhor nos anos 70. Sua excelência não só reside no clima quase palpável que Ashby pôde nos propocionar, remetendo a um John Ford e seus Vinhas da Ira se este tivesse sido rodado nos anos 70, mas principalmente ao desbunde da fotografia de Haskell Wexler que pela primeira vez na história do cinema utilizou a Steadicam, tornando o filme não apenas artisticamente importante, mas também historicamente relevante. Como se não bastasse, o objeto de retrato desta biografia fora uma personalidade de luminosidade indiscutível, coisa que evidenciou Guthrie como o maior poeta da música folk e do bluegrass norte-americano.

O lendário Tim Buckley era quem interpretaria Guthrie, mas ele morreu (tão jovem quanto o seu não menos lendário filho Jeff) antes que começassem as filmagens, perdeu-se um um grande cantor e ganhou-se uma grande interpretação, pois hoje Carradine pode ser mais conhecido como Kwai Chang Caine ou Bill, mas certamente a sua encarnação de Guthrie é a mais densa de sua carreira.

Corrida da Morte – Ano 2000 (Death Race 2000, 1975)

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Em primeiro lugar, Death Race é um dos filmes mais insanos que já vi e quando digo insano lê-se “Fuck’n crazy gangsta pusha wit yo tits n ass fuck’n metal baby, YEAH!” (aqui tive que fazer uso do niggatranslation), ou seja, o filme é MUITO insano. Manja a Corrida Maluca do desenho? Imagine a Corrida Maluca cujos participantes são sociopatas de alta periculosidade (ou quase isso), cujo intuito é matar o maior número de pedestres possível e quanto mais jovens forem suas vítimas mais pontos acumulam. Some-se a isso loiras com decotes generosos, carros com design dos mais bizarros, produção de Roger Corman e um duelo pau a pau entre David Carradine e Sylvester Stallone. Mas não é nada disso que deixa o filme insano, o que chama a atenção é a edição do filme, sensacionalmente engraçada, onde os eventos da corrida, são entrecortados por narradores dignos de fazer qualquer Galvão Bueno sair correndo, terroristas prontos para atacar e imagens que chegam ao cume do nonsense. O surpreendente fica por conta do alto teor político do filme, tão corrosivo quanto um George Orwell, bombardeando o imperialismo, totalitarismo, ícones artificiais e exalando pacifismo com sátiras ao culto da violência. É obra prima.

Nota 1: Sim, esse ano sairá o remake de Death Race, agora 3000.

Nota 2: Sim, Todd Haynes bebeu na fonte estilística de Hal Ashby para a “personalidade Woody Guthrie” do seu I’m Not There.

6 thoughts on “Especial Carnaval: David Carradine double feature

  1. Uau…. menina, o que tem aqui para eu ler não é brincadeira. Bárbaro que está o blog… e nas minhas correrias não vou poder ler tudo, com certeza. Mas tem assunto à beça aqui para opinar :) Bjão.

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  2. depois q li as crônicas do bob dylan, e ele fala tanto do woody, que sua primeira canção foi escrita pra ele, que fiquei curioso pra ouvir e agora fiquei com vontade de ver o filme tb.

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  3. Oi Adriana.

    Que legal ver alguém comentando o Carridene de volta. Apesar da ser interpretação ser bem limitada, gosto muito do seu estilo, cara durão.

    É igual ao Charle Bronson ou Steve Macken.Saõ atores que só conseguem ser um tipo de personagem, mas quando o personagem é bem escrito, não preciza de mais nada.

    pena que ele tá bem sumido.

    abs

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  4. nunca vi o filme antigo, mas já fiquei ansioso para ver a nova versão. eu sempre pensei num filme sobre o top gear 3000, que era o meu jogo preferido na época em q eu era viciado nessas coisas.

    fred.

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  5. Ah, Leo, nem tá, ele é o Bill, um dos melhores e mais cultuados personagens da década!

    Fred, top gear 3000??? Fala a minha língua rapaz! hehehe
    Sei não essa nova versão, hein?

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  6. pois sim, mas não aconteceu algo do tipo john travolta. hoje assisti o Martírio de Joana Darc deCarl Dreyer. Já assistiu? que filme!!
    abs

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