Centenário de André Bazin

Selecionei alguns livros de Bazin que foram lançados no Brasil e que ainda podem ser encontrados seja em livrarias ou na Estante Virtual e Mercado Livre.
Também recomendo este lúcido texto a respeito de Bazin que saiu no último domingo: Entenda por que André Bazin foi crucial para o cinema.
Além disso fiz uma lista sobre a minha saga ao mundo de Bazin no Letterboxd.

Eu não tenho essa edição da UBU, mas como é do espólio da Cosac Naify em sua organização e tradução (que é a edição que possuo), posso garantir o esmero.

Esse é outro que tem uma edição impecável da Autêntica, nele está incluso o Jean Renoir que não sai por aqui desde os anos 70.

Esse ainda dá para encontrar nos sebos e baratíssimo.

Outro que dá para encontrar nos sebos por um preço mínimo.

Esse só em sebos e por um preço exorbitante, é o único que não possuo.

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Centenário de William Holden


Bom, desnecessário apresentações, uma vez que o Holden abria o seu sorrisão ou dava uma tiradinha irônica, não havia escapatória para o seu charme infinito.
Nunca um top me foi tão sofrido, entre outros profissionais de cinema sempre me foi fácil escolher entre um e outro filme, aqui eu realmente não sabia o que ficava ou que sairia fora e principalmente qual seria o número 1, como raios escolher entre Sunset Boulevard, Network e The Wild Bunch? Alguns ótimos trabalhos com diretores idem tiveram que ser dispensados como George Cukor, Otto Preminger e John Ford – demais filmes assistidos aqui no letterboxd. Top dúzia, então:

1- Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, Billy Wilder, 1950)

2- Rede de Intrigas (Network, Sidney Lumet, 1976)

3- Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah, 1969)

4- O Inferno Nº 17 (Stalag 17, Billy Wilder, 1953)

5- A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, David Lean, 1957)

6- Sabrina (Billy Wilder, 1954)

7- Interlúdio de Amor (Breezy, Clint Eastwood, 1973)

8- S.O.B. Nos Bastidores de Hollywood (S.O.B. Blake Edwards, 1981)

9- Tributo de Sangue (The Turning Point, William Dieterle, 1952)

10- Férias de Amor (Picnic, Joshua Logan, 1956)

11- Conflito de Duas Almas (Golden Boy, Rouben Mamoulian, 1939)

12- Passado Tenebroso (The Dark Past, Rudolph Maté, 1948)

John Mahoney (1940 – 2018)

Para os loucos por séries ele é o cara de Frasier, mas para os cinéfilos raiz ele sempre será lembrado pelos inesquecíveis papéis coadjuvantes nos mais variados tipos de filmes nos últimos 40 anos, vai meu top-dúzia:

1- Barton Fink – Delírios de Hollywood (Irmãos Coen, 1991)
2- Na Roda da Fortuna (The Hudsucker Proxy, Irmãos Coen, 1994)
3- O Gigante de Ferro (The Iron Giant, Brad Bird, 1999)
4- Digam o Que Quiserem (Say Anything… Cameron Crowe, 1989)
5- Formiguinhaz (Antz, Eric Darnell/Tim Johnson, 1998)
6- Na Linha de Fogo (In the Line of Fire, Wolfgang Petersen, 1993)
7- Feitiço da Lua (Moonstruck, Norman Jewison, 1987)
8- Busca Frenética (Frantic, Roman Polanski, 1988)
9- Sob Suspeita (Suspect, Peter Yates, 1987)
10- Caindo na Real (Reality Bites, Ben Stiller, 1994)
11- As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear, Gregory Hoblit, 1996)
12- Nosso Tipo de Mulher (She’s the One, Edward Burns, 1996)

Centenário de Yuzo Kawashima

Kawashima é a transição entre os grandes mestres surgidos no cinema mudo e a nouvelle vague japonesa, morreu muito cedo aos 45 anos sem não antes deixar algumas grandes obras, além de tudo é considerado por Shohei Imamura como seu grande professor. Top-5, então:

1- The Graceful Brute (Shitoyakana kedamono, 1962): Esse filme é para os que reclamam de adaptações teatrais, apesar de não ser uma ele usa um espaço bem pequeno para desenrolar a ação e o quão inventivo Kawashima é!!!Todos os ângulos possíveis são utilizados, é quase um anti-Mizoguchi nessa questão. Em termos narrativos é o que mais se aproxima do filme mais famoso do diretor, Bakumatsu taiyoden, um único espaço que está envolto nas tramóias dos mais variados pilantras.

2- A Lenda do Sol dos Últimos Dias do Xogunato (Bakumatsu taiyôden, 1957): Talvez esse filme não seja tão famoso quanto deveria, é um amálgama bem perspicaz de filme de samurai, comédia, filme histórico e romance picaresco e o personagem principal certamente influenciou a concepção de Yojimbo. Se misturassem Akira Kurosawa e Robert Altman certaria daria essa mistura como filme.

3- The Temple of Wild Geese (Gan no tera, 1962): Pode parecer uma expressão estranha mas a melhor a ser usada para definir este filme é “noir budista” porque é exatamente isso que ele é, Kawashima aqui constrói uma atmosfera de tensão sexual fortíssima, especialmente avinda daqueles cujo mérito em teoria é refrear as paixões, como é usual do diretor o mesmo faz uso deveras perspicaz das imagens através de brilhantes angulações até então pouco usuais.

4- Suzaki Paradise Red Light (Suzaki Paradaisu: Akashingô, 1956): Esse é um tipo de filme que eu diria ter influenciado a Nouvelle Vague Japonesa, parece um drama nos moldes clássicos à primeira vista, mas tem toda uma pegada dinâmica, especialmente quanto ao final.

5- The Balloon (Fûsen, 1956): Aqui Aratama e Mihashi trocam de personalidade entre si em relação a suas personagens em Akashingo do mesmo diretor e ano, aqui há um viés de classe que age no caráter das personagens, as classes mais altas são desenvolvidas através de manipulação, desdém e frieza, enquanto as mais baixas são alvo da sordidez das supracitadas e isso fica claro quando Mori deixa sua classe abastada para viver com simplicidade, pois eles e sua filha se sentem outsiders em meio à toda aquela sordidez. E adivinhem o nome da personagem do Mori? Haruki Murakami! Rá!

Plus: Destino de Gueixa (Yoru no nagare, Mikio Naruse/Yuzo Kawashima): Por ser uma parceria com Naruse, resolvi deixar esse à parte. Esse filme é bem peculiar porque realmente mescla os estilos dos diretores que o dirigiram, do Naruse traz todo o olhar mais contido tecnicamente e de sabedoria em relação às personagens, enquanto do Kawashima vem o olhar bem humorado, mais dinâmico e em constante diálogo com o ocidente que são recorrentes em seus filmes. Eu particularmente nunca vi uma co-direção que exemplificasse tão bem dois olhares distintos.

Centenário de Ida Lupino

Não só uma diretora magnífica, às vezes esquecemos que ela também era uma grande atriz, qualidade que fica ainda mais evidente nos filmes noir que protagonizou. Se eu tivesse escolhido um filme de cada diretor daria para entrar Don Siegel e Robert Aldrich nesse top, mas infelizmente não poderia deixar de fora os Walshs e Negulescos que protagonizou que estão sem dúvida entre seus melhores trabalhos. Top-dúzia como atriz, então:

1- Cinzas que Queiman (On Dangerous Ground, Nicholas Ray/Ida Lupino, 1951)

2- Seu Último Refúgio (High Sierra, Raoul Walsh, 1941)

3- Meu Único Amor (The Man I Love, Raoul Walsh, 1947)

4- No Silêncio de uma Cidade (While the City Sleeps, Fritz Lang, 1956)

5- Dez Segundos de Perigo (Junior Bonner, Sam Peckinpah, 1972)

6- O Vale do Destino (Deep Valley, Jean Negulesco, 1947)

7- Dentro da Noite (They Drive by Night, Raoul Walsh, 1940)

8- A Taverna do Caminho (Road House, Jean Negulesco, 1948)

9- Mulheres Condenadas (Women’s Prison, Lewis Seiler, 1955)

10- Mistério de uma Mulher (Ladies in Retirement, Charles Vidor, 1941)

11- Entre o Amor e a Morte (Woman in Hiding, Michael Gordon, 1950)

12- Brumas (Moontide, Archie Mayo/Fritz Lang, 1942)

Como não poderia faltar, haverá um top de diretora que não vou me restringir ao top-5 porque tendo assistido todos os filmes para cinema da Lupino, pois um ou dois filmes a mais não tem problema e deixarei de fora a co-direção em Cinzas que Queimam porque já está no top de atriz. Top, então:

1- O Mundo é Culpado (Outrage, 1950)

2- Not Wanted (Elmer Clifton/ Ida Lupino, 1949)

3- Quem Ama não Teme (Never Fear, 1949)

4- Laços de Sangue (Hard, Fast and Beautiful, 1951)

5- O Mundo Odeia-me (The Hitch-Hiker, 1953)

6- O Bígamo (The Bigamist, 1953)

7- Anjos Rebeldes (The Trouble with Angels, 1966)

Lista completa de filmes assistido no Letterboxd.

Centenário de Joey Bishop

Centenário de Michiyo Kogure

Musa de Kenji Mizoguchi por cinco filmes na última fase do diretor e de quebra ainda trabalhou com Ozu, Kurosawa e Naruse, Kogure pode não ser uma lenda no ocidente, mas também não pode passar desapercebida. Ser com Ozu e Kurosawa mostrou toda sua acidez, enquanto Naruse a mostrou como uma espécie de Capitu japonesa, com Mizoguchi recai toda sua delicadeza e espírito sofredor, em cada papel está irreconhecível, um dom que perpassa todos os grandes atores japoneses.

Top, então:

1- Rua da Vergonha (Akasen chitai, Kenji Mizoguchi, 1956): Com Mizoguchi é uma porrada atrás da outra e aqui em seu último filme não é diferente, mais uma vez retratando mulheres envolvidas numa teia de sofrimento erigida sob a égide do patriarcado japonês é mais um filme de dilacerar o coração vindo do diretor e realmente muito crítico da condição social e psicológica que a prostituição traz à essas mulheres. Mais uma obra prima de Kenji se é que dá para chamar algum filme dele de não-obra-prima.

2- O Retrato da Senhora Yuki (Yuki fujin ezu, Kenji Mizoguchi, 1950): Normalmente as personagens trágicas que Mizoguchi dá a Michiyo Kogure nos despertam grande piedade e tristeza, mas essa é diferente despertando-nos grande raiva, não da personagem mas da teia de relacionamento abusivo que está envolta.
O espectador se sente como os empregados de Yuki que não conseguem suportar a patroa nessa situação, o que me remete a minha experiência de trabalhar como psicóloga numa Delegacia de Defesa da Mulher, trabalho este que me exauria deveras porque mulheres em relacionamentos abusivos precisam muito mais do que apoio externo e sim toda uma reeducação interna para se libertarem.
Tal como acontecia nas minhas sessões na DDM, passei grande parte do filme querendo cortar o pinto daquele marido filho da puta, coisa que geralmente o Mizoguchi não desperta, já que seus personagens masculinos, embora fracos ou escrotos, não clamam por sentimentos mais fortes de nossa parte além do desprezo.

3- Os Músicos de Gion (Gion bayashi, Kenji Mizoguchi, 1953): Prepare o lencinho se você quiser assistir a esse filme, aqui mais uma vez Mizoguchi se embrenha na realidade das mulheres vítimas do patriarcado, mais especificamente na realidade nada glamourosa das gueishas. Esse é o primeiro filme da trilogia das geishas que o diretor fez nos anos 50 e a sua dura realidade vai se agravando conforme avança a trilogia, o que não faz de Gion Bayashi menos dilacerador de corações.

4- O Sabor do Chá Verde Sobre o Arroz (Ochazuke no aji, Yasujiro Ozu, 1952): Quando Godard clama que prefere a histoiricidade do cinema ao invés de uma filosofia argumentativa como a que Foucault faz para analisar o contexto histórico das coisas é em Ozu que mais penso.
Ozu é tão perspicaz na sua análise da sociedade japonesa de meados do século XX que duvido encortrarmos um historiador melhor nesse sentido, os filmes dele parecem tão simples mas ao mesmo tempo é tão rico em significados e este não é diferente e nos últimos vinte minutos residem uma das mais belas sequencias da história do cinema que só confirmam a maestria de Ozu.

5- O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi, Akira Kurosawa, 1948): Quando Kurosawa fez seu centenário em 2010 passei por um binge da obra do cineasta,mas por alguma razão de que não me lembro, não assisti a esse filme. Tal fato por si já é um pecado porque não é apenas o início da parceria com Mifune (o Shimura já havia trabalhado várias vezes com Akira), como bem um dos seus filmes que desfilam mais dos histéricos que Kurosawa tanto gostava, aqui delineados pela peculiar relação médico-paciente que Shimura e Mifune representam e da qual damos boas risadas apensar da questão trágica da coisa.

6- O Samurai Dominante 2: Morte no templo Ichijoji (Zoku Miyamoto Musashi: Ichijôji no kettô, Hiroshi Inagaki, 1955): O único problema desse filme é essa penca de mulher rastejando atrás do Musashi, tudo bem que o Mifune é muito gato, mas isso é irritante, no mais é um belo capítulo da trilogia Musashi.

7- Kenji Mizoguchi: A Vida de um Diretor de Cinema (Aru Eiga-Kantoku No Shogai, Kaneto Shindo, 1975): Documentário que contempla com maestria a carreira e a vida pessoal de Mizoguchi, não dá para ser mais interessante que isso, são duas horas e meia que você nem vê passar de puro deleite.

8- A Nova Saga do Clã Taira (Shin Heike monogatari, Kenji Mizoguchi, 1955): É muito estranho ver um Mizoguchi colorido, mas não menos deslumbrante, especialmente porque ele transforma uma história épica num drama intimista. A Kogure está diferente do usual em que aparece em outros filmes de Mizoguchi, aqui a cortesã que interpreta é ácida, longe das mulheres sofredoras que interpreta para o diretor.

9- Okuni to Gohei (Mikio Naruse, 1952): Apesar de ser uma história interessantíssima e cujo final me deu ares de Dom Casmurro – o que pode explicar sua origem literária em Tanizaki , é um Naruse menor, o que não quer dizer que não seja um grande filme.

Dorothy Malone (1925 – 2018)

Top-dúzia em honra dessa imponente e exuberante atriz:

1- Palavras ao Vento (Written on the Wind, Douglas Sirk, 1956)

2- à Beira do Abismo (The Big Sleep, Howard Hawks, 1946)

3- Qual Será Nosso Amanhã (Battle Cry, Raoul Walsh, 1955)

4- Almas Maculadas (The Tarnished Angels, Douglas Sirk, 1957)

5- Minha Vontade é Lei (Warlock, Edward Dmytryk, 1959)

6- Instinto Selvagem (Basic Instinct, Paul Verhoeven, 1992)

7- Morte no Inverno (Winter Kills, William Richert, 1979)

8- O Último Por-do-Sol (The Last Sunset, Robert Aldrich, 1961)

9- Dinheiro Maldito (Private Hell 36, Don Siegel, 1954)

10- Artistas e Modelos (Artists and Models, Frank Tashlin, 1955)

11- Morrendo de Medo (Scared Stiff, George Marshall, 1953)

12- A Última Viagem (The Last Voyage, Andrew L. Stone, 1960)

24 Frames: The Great White Silence (Herbert G. Ponting, 1924)

2018 é o ano de centenário do crítico francês André Bazin, por isso estou repassando os filmes que ele cita em Qu’est-ce que le cinéma? e eventualmente farei vários 24 frames de filmes que assistirei pelo caminho. Os filmes vistos e revistos durante o ano podem ser todos encontrados nessa minha lista no Letterboxd.

Org (Fernando Birri, 1979)

Em honra do cineasta argentino Fernando Birri (1925 – 2017)

Nunca pensei assistir um dia o Terence Hill protagonizando um filme experimental. Como o próprio Birri indica, o filme dele é para ser visto como se fossem pranchas de Rorschach e a partir daí liberar a asssociação livre. Como quem amarra a narrativa exposta e fragmentada da associação livre é o terapeuta e para Lacan o primeiro passo nessa costura é achar o significante, este fica evidente que reside no espírito revolucionário dos anos 60, sempre reiterado no filme através de seu imaginário, o que se explica porque o filme começou a ser feito em 1967 e só foi terminada em 1978, tempo que Birri levou “desfazendo” tudo que filmou através de edição.

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