Em honra do Roger Waters que está mais vivo do que nunca

Não tem como pensar que o Parker teve certa influência do Ken Russell na feitura de The Wall, acho que foi claramente uma influência, especialmente na obsessão anti-fascista. Num tom meio psicanalítico vemos o herói do filme de criança amplamente podada na infância literalmente se metamorfosear naquilo que buscava resistir: um autoritário reacionário, o que Freud chamaria de retorno do recalcado bem exemplificado em Psicologia das Massas e Análise do Eu.
Ah, antes que me esqueça, não sei se vocês tiveram o desprazer de ver um print de um neo-fascista brasileiro tentando explicar para o Roger Waters que The Wall é uma crítica à doutrinação de esquerda. Então eu vou deixar isso aqui, pois explica por si:

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O Conformista (Il Conformista, Bernardo Bertolucci, 1970)

The serpent’s egg

He’s Alive


“Where will he go next? This phantom from another time, this resurrected ghost of a previous nightmare. Chicago? Los Angeles? Miami, Florida? Vincennes, Indiana? Syracuse, New York? Anyplace, everyplace, where there’s hate, where there’s prejudice, where there’s bigotry. He’s alive. He’s alive so long as these evils exist. Remember that when he comes to your town. Remember it when you hear his voice speaking out through others. Remember it when you hear a name called, a minority attacked, any blind, unreasoning assault on a people or any human being. He’s alive because, through these things, we keep him alive.”

Centenário de Robert Aldrich

Aldrich foi desses diretores altamente qualificados que se deu bem em diversos gêneros, portanto vai aqui um top-dúzia:

1- A Morte num Beijo (Kiss me deadly, 1955)

2- O que aconteceu com baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane? 1962)

3- Com a maldade na alma (Hush…Hush, Sweet Charlotte, 1964)

4- Morte sem glória (Attack! 1956)

5- A Vingança de Ulzana (Ulzana’s Raid, 1972)

6- Triângulo Feminio (The Killing of Sister George, 1968)

7- Folhas Mortas (Autumn leaves, 1956)

8- Os doze condenados (The dirty dozen, 1967)

9- O imperador do norte (Emperor of the North Pole, 1973)

10- Assim nascem os heróis (Too late the hero, 1970)

11- Vera Cruz (1954)

12- O último por-do-sol (The Last Sunset, 1961)

Para o ranking dos demais filmes do Aldrich acompanhados de suas respectivas resenhas, eis minha lista no letterboxd.

Centenário de Ingmar Bergman

Esse mês todo estou repassando a filmografia do magnificente diretor, o que fatalmente alterará meu top-dúzia dele, mas hoje, na ocasião de seu centésimo aniversário, o top é o seguinte:

1- Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966)

2- Cenas de um Casamento (Scener ur ett äktenskap, 1973)

3- Gritos e Sussurros (Viskningar och rop, 1972)

4- A Hora do Lobo (Vargtimmen, 1968)

5- O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet, 1957)

6- Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957)

7- O Silêncio (Tystnaden, 1963)

8- Sorrisos de Uma Noite de Amor (Sommarnattens leende, 1955)

9- Vergonha (Skammen, 1968)

10- O Rosto (Ansiktet, 1958)

11- A Paixão de Ana (En passion, 1969)

12- Mônica e o Desejo (Sommaren med Monika, 1953)

Para acompanhar meu andamento de revisão de filmografia sugiro minha lista no letterboxd

Centenário de André Bazin

Selecionei alguns livros de Bazin que foram lançados no Brasil e que ainda podem ser encontrados seja em livrarias ou na Estante Virtual e Mercado Livre.
Também recomendo este lúcido texto a respeito de Bazin que saiu no último domingo: Entenda por que André Bazin foi crucial para o cinema.
Além disso fiz uma lista sobre a minha saga ao mundo de Bazin no Letterboxd.

Eu não tenho essa edição da UBU, mas como é do espólio da Cosac Naify em sua organização e tradução (que é a edição que possuo), posso garantir o esmero.

Esse é outro que tem uma edição impecável da Autêntica, nele está incluso o Jean Renoir que não sai por aqui desde os anos 70.

Esse ainda dá para encontrar nos sebos e baratíssimo.

Outro que dá para encontrar nos sebos por um preço mínimo.

Esse só em sebos e por um preço exorbitante, é o único que não possuo.

Centenário de William Holden


Bom, desnecessário apresentações, uma vez que o Holden abria o seu sorrisão ou dava uma tiradinha irônica, não havia escapatória para o seu charme infinito.
Nunca um top me foi tão sofrido, entre outros profissionais de cinema sempre me foi fácil escolher entre um e outro filme, aqui eu realmente não sabia o que ficava ou que sairia fora e principalmente qual seria o número 1, como raios escolher entre Sunset Boulevard, Network e The Wild Bunch? Alguns ótimos trabalhos com diretores idem tiveram que ser dispensados como George Cukor, Otto Preminger e John Ford – demais filmes assistidos aqui no letterboxd. Top dúzia, então:

1- Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, Billy Wilder, 1950)

2- Rede de Intrigas (Network, Sidney Lumet, 1976)

3- Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah, 1969)

4- O Inferno Nº 17 (Stalag 17, Billy Wilder, 1953)

5- A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, David Lean, 1957)

6- Sabrina (Billy Wilder, 1954)

7- Interlúdio de Amor (Breezy, Clint Eastwood, 1973)

8- S.O.B. Nos Bastidores de Hollywood (S.O.B. Blake Edwards, 1981)

9- Tributo de Sangue (The Turning Point, William Dieterle, 1952)

10- Férias de Amor (Picnic, Joshua Logan, 1956)

11- Conflito de Duas Almas (Golden Boy, Rouben Mamoulian, 1939)

12- Passado Tenebroso (The Dark Past, Rudolph Maté, 1948)

John Mahoney (1940 – 2018)

Para os loucos por séries ele é o cara de Frasier, mas para os cinéfilos raiz ele sempre será lembrado pelos inesquecíveis papéis coadjuvantes nos mais variados tipos de filmes nos últimos 40 anos, vai meu top-dúzia:

1- Barton Fink – Delírios de Hollywood (Irmãos Coen, 1991)
2- Na Roda da Fortuna (The Hudsucker Proxy, Irmãos Coen, 1994)
3- O Gigante de Ferro (The Iron Giant, Brad Bird, 1999)
4- Digam o Que Quiserem (Say Anything… Cameron Crowe, 1989)
5- Formiguinhaz (Antz, Eric Darnell/Tim Johnson, 1998)
6- Na Linha de Fogo (In the Line of Fire, Wolfgang Petersen, 1993)
7- Feitiço da Lua (Moonstruck, Norman Jewison, 1987)
8- Busca Frenética (Frantic, Roman Polanski, 1988)
9- Sob Suspeita (Suspect, Peter Yates, 1987)
10- Caindo na Real (Reality Bites, Ben Stiller, 1994)
11- As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear, Gregory Hoblit, 1996)
12- Nosso Tipo de Mulher (She’s the One, Edward Burns, 1996)

Centenário de Yuzo Kawashima

Kawashima é a transição entre os grandes mestres surgidos no cinema mudo e a nouvelle vague japonesa, morreu muito cedo aos 45 anos sem não antes deixar algumas grandes obras, além de tudo é considerado por Shohei Imamura como seu grande professor. Top-5, então:

1- The Graceful Brute (Shitoyakana kedamono, 1962): Esse filme é para os que reclamam de adaptações teatrais, apesar de não ser uma ele usa um espaço bem pequeno para desenrolar a ação e o quão inventivo Kawashima é!!!Todos os ângulos possíveis são utilizados, é quase um anti-Mizoguchi nessa questão. Em termos narrativos é o que mais se aproxima do filme mais famoso do diretor, Bakumatsu taiyoden, um único espaço que está envolto nas tramóias dos mais variados pilantras.

2- A Lenda do Sol dos Últimos Dias do Xogunato (Bakumatsu taiyôden, 1957): Talvez esse filme não seja tão famoso quanto deveria, é um amálgama bem perspicaz de filme de samurai, comédia, filme histórico e romance picaresco e o personagem principal certamente influenciou a concepção de Yojimbo. Se misturassem Akira Kurosawa e Robert Altman certaria daria essa mistura como filme.

3- The Temple of Wild Geese (Gan no tera, 1962): Pode parecer uma expressão estranha mas a melhor a ser usada para definir este filme é “noir budista” porque é exatamente isso que ele é, Kawashima aqui constrói uma atmosfera de tensão sexual fortíssima, especialmente avinda daqueles cujo mérito em teoria é refrear as paixões, como é usual do diretor o mesmo faz uso deveras perspicaz das imagens através de brilhantes angulações até então pouco usuais.

4- Suzaki Paradise Red Light (Suzaki Paradaisu: Akashingô, 1956): Esse é um tipo de filme que eu diria ter influenciado a Nouvelle Vague Japonesa, parece um drama nos moldes clássicos à primeira vista, mas tem toda uma pegada dinâmica, especialmente quanto ao final.

5- The Balloon (Fûsen, 1956): Aqui Aratama e Mihashi trocam de personalidade entre si em relação a suas personagens em Akashingo do mesmo diretor e ano, aqui há um viés de classe que age no caráter das personagens, as classes mais altas são desenvolvidas através de manipulação, desdém e frieza, enquanto as mais baixas são alvo da sordidez das supracitadas e isso fica claro quando Mori deixa sua classe abastada para viver com simplicidade, pois eles e sua filha se sentem outsiders em meio à toda aquela sordidez. E adivinhem o nome da personagem do Mori? Haruki Murakami! Rá!

Plus: Destino de Gueixa (Yoru no nagare, Mikio Naruse/Yuzo Kawashima): Por ser uma parceria com Naruse, resolvi deixar esse à parte. Esse filme é bem peculiar porque realmente mescla os estilos dos diretores que o dirigiram, do Naruse traz todo o olhar mais contido tecnicamente e de sabedoria em relação às personagens, enquanto do Kawashima vem o olhar bem humorado, mais dinâmico e em constante diálogo com o ocidente que são recorrentes em seus filmes. Eu particularmente nunca vi uma co-direção que exemplificasse tão bem dois olhares distintos.

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